Voto de Consciência ou Conveniência? Câmara de Guarujá Julga as Contas do Governo Walter Suman
- Wanderson Paixão
- 2 de fev.
- 3 min de leitura

Sessão marcada para 03 de fevereiro de 2026 coloca em xeque discursos eleitorais, antigas oposições e a coerência da base do atual governo municipal.
Guarujá (SP) — A Câmara Municipal de Guarujá vota amanhã, terça-feira, 03 de fevereiro de 2026, as contas do governo do ex-prefeito Walter Suman, em uma das sessões mais aguardadas — e politicamente sensíveis — do atual mandato legislativo. O julgamento ultrapassa o aspecto técnico e assume contornos essencialmente políticos, ao expor o posicionamento de vereadores que, em momentos distintos, ocuparam campos opostos no cenário municipal.
Oposição ontem, decisão hoje
Entre os votos mais observados estão os de vereadores reeleitos que fizeram oposição direta ao então prefeito Walter Suman, utilizando críticas à gestão como principal bandeira eleitoral. Nomes como Waguinho Fé em Deus e Nego Walter figuraram entre os parlamentares que, no mandato anterior e durante a campanha, adotaram discurso duro contra o governo agora submetido ao crivo do Legislativo.
“Não se trata apenas de analisar números, mas de verificar se o discurso adotado no passado será mantido no plenário”, avalia um interlocutor da própria Câmara, sob reserva.
O peso político da ex-vice e prefeita interina
Outro voto cercado de expectativa é o da Dra. Adriana Machado, que ocupou o cargo de vice-prefeita e exerceu a função de prefeita interina durante o período em que Walter Suman foi afastado do cargo em razão de prisão em flagrante. Sua posição carrega peso político adicional, uma vez que participou diretamente da engrenagem administrativa do período analisado.
“É um voto que dialoga com responsabilidade institucional. A expectativa é que seja um posicionamento técnico, mas o contexto político é inevitável”, comenta um analista político local.
Novos vereadores sob escrutínio
A sessão também coloca sob holofotes os novos vereadores eleitos, muitos dos quais construíram suas campanhas com críticas severas à antiga gestão municipal. Agora, diante do julgamento das contas, a pergunta que ecoa nos bastidores é direta: o discurso eleitoral resistirá à prática parlamentar?
Para lideranças comunitárias, a votação funcionará como um teste precoce de independência do novo Legislativo. “O eleitor vai observar atentamente se haverá coerência ou se tudo ficará apenas no discurso de campanha”, afirma o Sr. João da Silva Fernandez, 55 anos e morador do morrinhos III.
Base do governo Farid Madi e o “rombo” anunciado
Do outro lado, a base aliada do atual prefeito Farid Madi enfrenta um dilema político evidente. Ao assumir o cargo, o chefe do Executivo declarou publicamente a existência de um rombo nas contas municipais estimado em cerca de R$ 50 milhões, atribuído à gestão anterior. Diante disso, a eventual aprovação das contas de Walter Suman pode gerar desgaste político e contradições internas.
“É difícil sustentar a narrativa de herança fiscal negativa e, ao mesmo tempo, chancelar as contas do governo anterior”, resume um vereador experiente, também sob reserva.
Uma votação que vai além das contas
Embora formalmente trate da análise contábil e fiscal de um exercício de governo, a votação desta terça-feira tem significado político mais amplo. O resultado poderá indicar o grau de independência da Câmara, o alinhamento real com o Executivo atual e a fidelidade dos parlamentares às promessas feitas ao eleitorado.
No plenário, não estarão apenas números e pareceres técnicos em julgamento, mas biografias políticas, discursos de campanha e a credibilidade do Legislativo municipal.
Amanhã, Guarujá não assistirá apenas a uma votação de contas — assistirá a um teste público de coerência política.




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