Golpe imobiliário atinge dezenas de famílias em Guarujá; vítimas registram ocorrências na DP SEDE
- Wanderson Paixão
- há 19 horas
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Reportagem: Edinaldo Silva

Na sexta-feira de Carnaval, famílias compareceram à Delegacia de Polícia Sede de Guarujá para registrar ocorrências de estelionato envolvendo a suposta venda de apartamentos inexistentes, com menções indevidas à CDHU e à Prefeitura Municipal de Guarujá.
A reportagem acompanhou famílias que relatam prejuízos decorrentes da chamada “falsa moradia”: unidades que não poderiam ser comercializadas teriam sido ofertadas por um suposto corretor, que exigia valores de entrada e formalizava instrumentos em cartório. O esquema, segundo os relatos, apresenta indícios de organização e está sob apuração pela autoridade policial, inclusive quanto à eventual participação de terceiros e à verificação de referências a órgãos públicos.
A seguir, as versões nominalmente atribuídas às vítimas que autorizaram a divulgação:
Versão das vítimas
A vítima, John Ricardo Andra de Santos, disse: “Fui induzido por um suposto corretor de imóveis a adquirir um imóvel que ele afirmava ter vínculo com a prefeitura, alegando a existência de unidades e lotes ‘encaixados’ pelo poder público.

Realizei pagamento de R$ 14.000,00, além de parcelas, e tenho conhecimento de que outras pessoas também foram prejudicadas.”
Gisele da Silva Nascimento afirma ter sido vítima de um suposto golpe após negociar a aquisição de apartamento ofertado por Ricardo, que residia no mesmo prédio e exercia a função de síndico. Segundo o relato, a vítima vendeu imóvel na Bahia para viabilizar a compra e realizou pagamento de R$ 25.000,00, com reconhecimento de firma em cartório em 6 de dezembro de 2024.

De acordo com a declarante, o vendedor prometeu a entrega das chaves em até 95 dias, alegando que haveria unidades destinadas à comercialização por meio de arranjo vinculado à prefeitura. O prazo não foi cumprido e, após mais de um ano de espera, não houve entrega do imóvel nem restituição dos valores.
A vítima sustenta que outras famílias também teriam sido prejudicadas, algumas mediante contratação de empréstimos para arcar com a entrada, ampliando o prejuízo coletivo.
Diante da ausência de solução, requer a apuração dos fatos e a responsabilização do envolvido, com encaminhamento do caso às autoridades competentes para investigação.
Bruna Vitória afirma ter sido vítima de um suposto golpe após negociar a aquisição de imóvel anunciado por Ricardo, que se apresentava como corretor e indicava unidades na comunidade Cantagalo, supostamente provenientes de contemplados que teriam desistido da posse. Segundo o relato, o negócio foi firmado em outubro, com promessa de entrega das chaves em 60 dias, mediante entrada de R$ 15.000,00 e preço total de R$ 70.000,00.

De acordo com a vítima, o prazo não foi cumprido sob alegações de entraves com agente da prefeitura responsável pela liberação das chaves, com sucessivos adiamentos até o início de janeiro. Posteriormente, o vendedor teria convocado compradores para comparecer à prefeitura, onde não compareceu, desligou o telefone e deixou de prestar informações.
O declarante relata possuir contrato, mas afirma que, ao buscar reconhecimento em cartório, não foram apresentados documentos do vendedor. A confiança teria sido reforçada por indicações de terceiros e pela alegada atuação do ofertante como síndico de condomínios locais.
Sem a entrega do imóvel ou devolução dos valores, a vítima requer apuração dos fatos e responsabilização do envolvido, com encaminhamento do caso às autoridades competentes para investigação.
A vítima, Paulo Andrew de Oliveira Demétrio, disse: “Fui vítima de um suposto golpe após negociar a compra de um apartamento ofertado por Ricardo. O imóvel me foi apresentado como regularizado em cartório pelo valor de R$ 65.000,00, e realizei pagamento inicial de R$ 15.000,00 via Pix.

Após o repasse do sinal, ele passou a apresentar sucessivas justificativas para não entregar as chaves, mencionando supostos contatos na prefeitura e no cartório, e nunca viabilizou a visita ao imóvel.
Eu já o conhecia de anos anteriores, o que contribuiu para a confiança na negociação. Meus familiares — irmão, tio e pai — também aderiram ao negócio por indicação de terceiros, o que ampliou o prejuízo financeiro.
Como não houve entrega do bem nem devolução dos valores, aguardo a apuração dos fatos e a responsabilização do envolvido pelas autoridades competentes.”
As vítimas, Sônia e Nayara, disseram: “Fomos vítimas de um suposto golpe ao negociar a compra de um apartamento ofertado por Ricardo. O imóvel, que recebemos como presente de casamento, teria o valor total de R$ 75.000,00. Pagamos R$ 15.000,00 de entrada e uma parcela subsequente, totalizando R$ 16.000,00 desembolsados.

Ele prometeu a entrega das chaves após o pagamento de ao menos duas parcelas, no prazo de até 90 dias, mencionando supostos vínculos com cartório e prefeitura. Possuímos contrato com reconhecimento em cartório e registramos boletim de ocorrência. Até o momento, não houve entrega do imóvel nem devolução dos valores.”

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